Update da Cisma: Recaída

21:40

Deve fazer parte da jornada.
Só sei que quando tudo ia bem, do nada, bate sobre mim uma sensação tão negra e tão familiar, que pensava já ter esquecido.
Senti-me confusa, senti-me indefesa, ...senti-me desesperada. E com raiva também.
Porque o que levou quase dez anos a ser construído, desapareceu ao longo de uma semana.

Primeiro um pequeno desconforto. Rapidamente e facilmente evitado.
Depois vem as palpitações. Respira-se fundo, olhamos para o lado e distraímo-nos.
Tudo bem. É impossível viver sem nervosismo. Faz parte do ser humano. Eu entendo.
Apesar de distraída, a mente de alguém que já passou por isto começa à procura destas sensações bem lá no fundo do baú. E é aí que faz o «click!» e o teu mundo acaba.
Há um recomeço. E sinto-me com menos dez anos de experiência. De nada vale. Respirar fundo, beber água, beber chá de camomila. Nada.
Ah!
Eu conheço este desconforto.
Eu conheço estas palpitações.
Estes cala-frios.
Esta visão turva.
Eu conheço estas mãos que tremem.
Eu conheço esta vontade de vomitar.
Esta dor de cabeça.
Este medo de me mexer sem ver tudo à roda.
Eu conheço isto tudo.

E depois acordamos sempre com medo, medo de voltar a ter tudo outra vez. Já não passa tudo com uma boa noite de sono. A confiança que ganhaste ao longo deste tempo de nada vale. O pensamento racional, os exercícios de respiração e relaxamento...nada, nada!

Não quero dizer que é escusado lutar, mas quando estamos a repetir uma batalha, parece que o facto de já a conhecermos, não tranquiliza mesmo nada. Pois eu sei o que passei. As idas ao centro de saúde, os desmaios, a perda de peso por não conseguir comer, o afastamento de amigos que não entendiam a minha falta de vontade em sair, de rir, de comer,... Não quero que «aquela primeira fase» de quando começamos a ter estes ataques dure novamente os 2 ou 3 anos que durou. Não consigo. Não posso. A vida não espera. E eu não quero perder ninguém. Não quero que olhem para mim como se fosse uma criança...sem forças...outra vez.

Por isso decidi.
Fui à psiquiatra.
Nem dez minutos lá fiquei. Expliquei o que sentia, de forma super rápida. Contorcia-me na cadeira, cruzava as pernas, gaguejava... disse que tinha medo de medicação e passou-me Paroxetina Radiopharm 20mg. Saí de lá a correr e submersa em dúvidas. Estava a ir contra o que acreditava. Não queria drogas para me controlar mas... não posso ficar assim.
Meio comprimido de manhã.
Li na bula que demora 2 a 3 semanas a fazer efeito.
O primeiro dia foi o pior. O medo bateu tão, tão forte que eu tinha a sensação que se saísse do sofá, eu ia cair.
Duas a três semanas disto. Já vou no quarto dia... e o único avanço que vi foi a aceitação da ideia de que tenho de tomar esta medicação. Tem de ser porque prefiro 3 semanas de inferno, do que 3 anos. E rezo, rezo mesmo, para que no final de um mês de tratamento, eu já consiga sair do sofá sem sequer pensar nisto.


Enfim. A Cisma voltou.

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3 Comments

  1. Não sei bem o que dizer, só que espero que já estejas melhor e que consigas combater isso completamente. Força*

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  2. Sei o que sentes espero que melhores rápido. Domingo sai uma rubrica nova no meu blog segue porque acho que vais gostar e quem sabe ficares inspirada para combater esse monstro da ansiedade. Fica atenta

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  3. Ler o teu texto foi reviver um passado que sei que está longe mas que pode estar bem perto.
    Já passei por diversos momentos iguais ao teu presente. A solução foi igual à tua... e perdura até hoje. Os diabéticos precisam da sua insulina, nós precisamos da "nossa insulina". Eu aprendi a aceitar e a VIVER. VIVE, por favor.

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