A Esperança não é minha amiga

17:07

Tem dias que parece tudo dar mal. Tem dias em que nos sentimos cansados de estar cansados, cansados de tanto medo, cansados de tanta angústia e de tanta dúvida. Tem dias que só apetece chorar e outros que nem apetece sair da cama. Dias que só queremos dormir ou passar o dia em casa, no sofá, a comer e a ver televisão.

A tristeza bate à porta de toda a gente e nunca sabemos o que fazer com ela, quando entra de forma inesperada e em jeito de avalanche. É tudo um choque. Cria-se um sentimento enorme de desespero dentro de nós, em que nem sabemos o que fazer, pensar ou sentir. Deixamos de pensar de forma racional durante uns  minutos, horas, dias,... e tudo à nossa volta perde a cor.

O que fazer nestes momentos que não temos ninguém por perto? Nem um ombro amigo, nem um conhecido?

E aí tu pensas: é injusto, caramba!  Sempre ajudaste quem precisava de ser ajudado, aquele amigo que tens desde infância ou aquele que conheces e sentiste logo uma enorme empatia e amizade por todos os momentos que passaram juntos. Mas quando mais precisas deles, viram-te as costas. E só depois, quando já estiveres melhor e enfrentares essa(s) pessoa(s) pela sua grande falha, qualquer desculpa é-te suficiente no momento, dizes que não faz mal, que já passou,...  mas não sais de lá convencido/a. 

E quando é a outra pessoa que está mal. Que fazes? Vingaste? 
Não... eu sou incapaz. Volto a estender a mão, na esperança que essa pessoa se aperceba do mal que fez e como é horrível passar por um mau bocado na vida sem um amigo. Oh esperança!
Mas a vida gosta de pregar partidas, e mais tarde ali estás...sozinha, outra vez, sem cor e sem animo. Telemóvel toca e por um segundo pensas que é esse teu amigo e...mensagem da operadora. 

Não entendo. Uma vida nisto. Uma vida a partilhar os segredos mais íntimos. Nunca, mas mesmo NUNCA, por vontade própria ou por «assunto de ocasião», essa pessoa me perguntou se precisava de algo ou se estava tudo bem. E falo daquele «tudo bem?» de verdade! Daquele que tu sentes que a pessoa está a puxar assunto, que a pessoa sabe, sente e percebeu que algo está errado. Não! Parece que só eu noto em tal coisa. Só eu é que faço tal pergunta. E magoa. Magoa tanto. 
Mas a esperança é a cabra das cabras. Deixa-nos aqui, de peito cheio e a pensar «não, da próxima vez vai ser diferente», ... quando lá, bem no fundo, sabes que não. Mas está tudo bem...«já passou».

Imagem do Deviantart de P4M


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